Apresentámos, ontem, dia 15 de janeiro, na Biblioteca da Imprensa Nacional, o n.º 2 da 2.ª série da Revista M. Este número da Revista M (2024-2025) celebra os 25 anos da cunhagem do euro, marco histórico que redefiniu a economia e a identidade europeias.
Esta edição reúne contributos de investigadores e interessados pelo património numismático e medalhístico, oferecendo uma reflexão abrangente sobre o impacto cultural, económico e simbólico da moeda única.
Entre os destaques, conta-se uma entrevista ao engenheiro Paulo Leitão, que liderou o Departamento de Moeda e Produtos Metalúrgicos da INCM entre 1996 e 2002 e um artigo dedicado à exposição «Do Museu Numismático Português ao Museu Casa da Moeda (1924-2024)».
Este número da Revista M está disponível para leitura aqui.
A sessão coincidiu com a celebração do 9.º aniversário do Museu Casa da Moeda, um projeto digital da INCM que, ao longo destes anos, tem contado com a colaboração de uma comunidade alargada de investigadores, autores e interessados em numismática e medalhística.
Usaram da palavra nesta sessão Paulo Leitão, acima citado, José Martinho, chefe da área da amoedação, Inês Queiroz e Susana Domingues, do Museu Casa da Moeda, e Duarte Azinheira, vogal do Conselho de Administração da INCM.
Presente esteve também o Sr. Embaixador Francisco Seixas da Costa, que deixou as seguintes palavras sobre esta sessão, que transcrevemos:
«Não esperava emocionar-me numa sessão sobre cunhagem de moedas. Mas foi exactamente isso que aconteceu.
No final da tarde de hoje, estive na biblioteca da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, movido pela curiosidade da apresentação de um número de uma revista da casa. O que poderia ter sido apenas mais uma sessão institucional transformou-se em algo completamente diferente.
Parte importante da apresentação foi dedicada a recordar o lançamento das moedas do euro, a partir de 2004.
E foi então que a algo aconteceu. Dois especialistas das oficinas da casa — um deles já aposentado — tomaram a palavra. Com simplicidade, rigor e um entusiasmo genuíno, eles transformaram aquilo que ameaçava ser uma burocrática evocação de rotinas de trabalho numa verdadeira jornada sentimental. Para eles, aquele projeto não tinha sido apenas um trabalho: tinha sido uma aventura que lhes marcou as vidas. Ali, perante todos nós, fizeram um “filme” fascinante desses dias únicos.
A certo ponto, um dos “moedeiros” — conceito que só então conheci — comoveu-se visivelmente ao evocar a sua gente, as suas equipas, aqueles que com ele trabalharam. A necessidade de treinar gente para o futuro dessas tarefas.
Não foi apenas uma demonstração de profundo profissionalismo. Foi a revelação de uma ligação emocional à casa a que orgulhosamente pertencia, às pessoas com quem tinha partilhado anos intensos, ao verdadeiro sentido de missão que a sua tarefa constituía. Acho que todos ficámos tocados por esse momento de verdade.
Foi um final de tarde que, apesar da chuva persistente lá fora, me ajudou a ganhar um belo dia.»
Por Francisco Seixas da Costa , in blogue duas ou três coisas.